Términos são sempre complicados

Hoje, uma semana depois saída de Wenger do Arsenal, tempo o suficiente para digerir a notícia, consegui sentar e escrever sobre. Há anos, cinco talvez, faço parte do coro que pede a saída do francês do time londrino. Mas ao receber a confirmação que o treinador que ocupou esse cargo por 22 anos está deixando o Arsenal, senti um vazio no peito e não conseguia entender o porquê.

O Arsenal invicto de 2003-04, foi o primeiro time que me deixou de queixo caído, estremeceu as estruturas, bateu a química. Tudo naquele time era lindo, o jeito de jogar, os uniformes e o saudoso estádio de Highbury. Imagino que para os mais velhos deve ter sido algo semelhante ao Botafogo dos anos 50, Santos dos anos 60, Flamengo dos anos 80 e outros. Como faço parte de uma geração que não teve a oportunidade de ver os melhores jogadores do mundo jogando em estádios brasileiros, tive que acompanhar toda aquela beleza pela televisão.

Passado aquele momento de encantamento, veio o primeiro baque, o vice-campeonato da Champions League de 2005-06. Maldito Belletti! Depois disso, o Arsenal colecionou fracassos e a culpa era sempre do Emirates Stadium que havia custado uma fortuna e não permitia que o clube montasse elencos competitivos. Tudo bem, paciência. Mas com o tempo, isso deixou de fazer sentido e a culpa caiu nos ombros do treinador francês. O grito de “Wenger out!” tomou conta das arquibancadas. Nem mesmo três títulos da Copa da Inglaterra (2013-14, 2014-15 e 2016-17) que fizeram com que os Gunners se tornassem os maiores campeões do torneio mais antigo de futebol do mundo, acalmaram os ânimos.

Sabe aquele relacionamento que está condenado, mas que as partes insistem em evitar o fim? Pois é, um dia não tem mais como se enganar. Esse dia chegou para os quase charás, Arsenal e Arsène Wenger. Mas como todo término, na hora que se bate o martelo, ninguém se lembra das mágoas e tristezas que levaram àquele momento. O que vem a cabeça é o primeiro encontro, aquela viagem especial, aquele show… e isso machuca.

Wenger não será lembrando pelo jejum de títulos de 2004 a 2014, mas sim pela revolução que causou no Arsenal e no futebol inglês. O antes “boring Arsenal” que só ganhava de 1 a 0, vivia de chutão e de bola levantada na área. O mais inglês dos times ingleses se tornou o mais internacional dos times ingleses e sinônimo de futebol bem jogado. E como todo grande amor, mesmo após o fim, o que se deve levar são alegrias e os bons momentos.

Wenger continua a caminhada para o que pode ser seu último título pelo Arsenal, a Europaleague de 2017-18. Os Gunners enfrentam o Atlético de Madri pela semifinal da torneio mais legal da Europa. Do outro lado da chave, estão Red Bull Salzburg e Olympique Marseille disputando uma vaga na grande final em Lyon.

 

Merci, Wenger!

 

Foto: arsenal.com

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