Passam-se décadas e ele continua: sempre o Olimpia

Opa, opa, opa, opa
Olimpia tiene copa
y nadie se la toca

Com o 41º título paraguaio, o Club Olimpia volta para a fase de grupos da Copa Libertadores de 2019. Para o clube, após eliminações precoces nas fases classificatórias nos últimos dois anos, mais uma chance em busca da quarta estrela. Afinal, mesmo com tanta antecedência, a camisa branca com a franja negra e o torneio continental mantêm uma relação simbiótica que passa por todas as décadas da obsessão sul-americana.

Xícara de chá que inspirou o uniforme

Fundado em 25 de Julho de 1902, o Olimpia praticamente passeou no campeonato nacional deste ano até se sagrar campeão na antepenúltima rodada diante do Libertad, no dia 30 de Maio. Contando com o jogo decisivo e sem contar com os outros dois para cumprir tabela, foram 15 vitórias, 4 empates e apenas uma derrota. Doído, mas não determinante, foi perder a invencibilidade para o seu maior rival, o Cerro Porteño.

O Franjeado, como também é conhecido, além de El Decano e de Rey de Copas, é o maior vencedor do campeonato paraguaio e único do país a vencer uma competição oficial da Conmenbol. Além dos 41 títulos, soma-se à sua galeria uma Copa Intercontinental, uma Copa Interamericana, uma Supercopa, duas Recopas e sete Torneios República. Um desses torneios merece um destaque especial: a Recopa Sul-Americana de 1991, a qual o Olimpia venceu sem disputar ao menos um jogo. Na época a competição era disputada entre o vencedor da Libertadores e o vencedor da Supercopa. O Olimpia venceu as duas competições e levou a taça pra casa de forma automática. Mas a competição que joga partidas, perde e ganha e construiu boa parte da sua mística copeira, é a Libertadores, que o clube já venceu três vezes.

Em 1979, a seleção paraguaia conquistou a Copa América de Futebol no fim do ano com oito jogadores do alvinegro paraguaio, mas alguns meses antes, exatamente no dia 27 de Julho, o Olimpia já tinha conquistado a América representando o seu país. Com uma campanha impecável, com nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota – esta ainda na fase de grupos –, o time de Assunção se classificou em primeiro no grupo 2, vencendo as partidas diante o Sol de América e Jorge Wilstermann, além de uma vitória e uma derrota longe de casa para o Bolívar.

Na semifinal, ainda no formato de triangular e garantindo o lugar na vaga ao time que mais marcasse pontos nos confrontos diretos, o Olimpia enfrentou o Palestino do Chile e o atual campeão brasileiro na época, o Guarani. Com três vitórias mais um empate no estádio de Campinas, garantiu a vaga para disputar mais uma final. Desta vez, contra o atual campeão e potência continental, Boca Juniors. Com gols de Aquino e Miguel Piazza, o alvinegro paraguaio venceu o primeiro confronto da final no seu território e foi para a finalíssima precisando apenas do empate. 0 a 0 La Bombonera, e pela primeira vez um clube fora do eixo Uruguai-Brasil-Argentina vence a Copa Libertadores. No mesmo ano, o time ainda vence a Copa Interamericana, bate o Malmö, da Suécia, e conquista a Copa Intercontinental, ou melhor, o Mundial Interclubes. Contando o campeonato nacional do ano, foram quatro títulos arrebatados. O clube venceu tudo que disputou.

Passados 11 anos, o Olimpia cravaria sua segunda plaquinha na base do trófeu. Em 1990, o clube enfrentou na fase de grupos seu arquirrival Cerro Porteño, registrando uma vitória e uma derrota, o atual campeão brasileiro, Vasco da Gama também com uma vitória e uma derrota, e o campeão da recém criada Copa do Brasil, o Grêmio, no qual garantiu uma vitória e um empate. Com três vitórias em casa e duas derrotas e um empate fora, o Franjeado garantiu a vaga nas quartas com o primeiro lugar no grupo. Diante da Universidad Católica do Chile, fez seu papel em casa por 2 a 0 e garantiu a classificação com um empate por 4 a 4 em Santiago. Já na semifinal, enfrentou o atual campeão da competição, o Atlético Nacional da lenda René Higuita – reeditando a final do ano anterior vencida pelos colombianos nos pênaltis. Com uma vitória em Medellín, por 2 a 1, o clube foi para a partida de volta em vantagem, mas os Verdolagas não deram facilidade. Vitória do clube colombiano por 3 a 2 no tempo normal e decisão nos pênaltis. O resultado final de 2 a 1, com direito a pênalti perdido pelo lendário goleiro Higuita, fez com que o Olimpia avançasse para mais uma final. Para apagar da memória a derrota no tempo normal em casa na semi em casa e dramática classificação nas penalidades, o time venceu o Barcelona por 2 a 0, com gols de Amarilla e Samaniego. Obtendo a vantagem do empate, segurou o placar de 1 a 1 no Equador e se sagrou bicampeão continental. Hoje, este título é envolto a uma polêmica sobre supostas palavras do técnico Luis Cubilla (à frente do Olímpia na época), a respeito de um dito favorecimento aos paraguaios. Falecido em 2013, as afirmações hipoteticamente feitas por ele não podem ter sua autenticidade verificada, e as teorias permanecem, assim como o troféu em Assunção.

Comemoração pela Libertadores de 2002

No início do novo século, o time paraguaio volta ao local de destaque continental. Em 2002, após uma equilibrada fase de grupos com Once Caldas, Universidad Católica e Flamengo, a equipe conseguiu se classificar com três vitórias, dois empates e uma derrota para a esquadra colombiana. Nas oitavas empatou por 1 a 1 no Chile (depois a Conmebol definiu o placar de 2 a 0 para os paraguaios devido a um incidente com o árbitro) e conquistou a classificação em casa por 2 a 1 contra o Cobreloa. Nas quartas, outra vez um atual campeão, mas dessa vez o Boca Juniors. Com 1 a 1 na mítica Bombonera, decidiu em casa pelo teto mínimo e passou a enfrentar os brasileiros restantes na competição. De primeira, encarou o Grêmio na semi. Com vitória em casa e derrota em Porto Alegre, o Olimpia passou por 5 a 4 nos pênaltis e garantiu mais uma vaga na final. Agora do outro lado do chaveamento, o adversário era o brasileiro vice-campeão do torneio nacional e sensação do momento, o São Caetano de Jair Picerni. Eliminando Universidad Católica, Penãrol e o América do México nos mata-matas, o azulão do ABC paulista chegou embalado na final e venceu por 1 a 0 o Olimpia em Assunção. Na volta, 2 a 1 de virada para o time paraguaio e novamente pênaltis. Marcando quatro gols e dois pênaltis perdidos pelo time brasileiro, o Olimpia pôde finalmente dizer que era tricampeão da América – status mantidos até os dias atuais.

Se por um lado a história não é justa, geralmente, por sempre medir a grandeza e importância dos clubes apenas pelo número de troféus que cada um guarda em seus museus, com o Olimpia é um pouco diferente. Seus títulos são somados aos seus amargos vice-campeonatos para construir sua identidade no continente de Salvador Allende. O Club Olimpia não tem sua camisa respeitada por ser o maior campeão paraguaio e nem por ser tricampeão da Libertadores, mas por sempre estar lá. Desde a primeira edição da Copa, o time é uma constante e chegou em finais em todas as décadas da competição.

A Copa Libertadores nasceu Copa dos Campeões da América em 1960. Na ocasião, apenas campeões nacionais disputavam o torneio de mata-matas – quartas, semi e final. Na primeira edição, o Olimpia chegou à final após apenas duas partidas contra o Millonarios, um empate e uma goleada por 5 a 1. A final foi contra o Peñarol, que fez valer o seu mando de campo e venceu por 1 a 0 no Uruguai e arrancou um empate em Assunção. Sagrando-se, assim, o primeiro campeão da competição e deixando os paraguaios com o vice na única final que disputaram na década inicial.

Já a década de 1970, dominada pelos argentinos, onde Independiente se sagrou quatro vezes consecutivas e o Boca duas, o Olimpia venceu pela primeira vez, em sua segunda final da história, em 1979. Dez anos depois, em 1989, o time volta a disputar mais uma final, na qual perde para o Atlético Nacional nos pênaltis.

Debutando nos anos 90, o Olimpia disputa e vence a final contra o Barcelona em 1990. No outro ano, em 91, também chega na final, onde empata em casa com o placar zerado e perde por 3 a 0 para o chileno Colo-Colo, vendo o sonho do tri ser prorrogado. Tudo adiado graças ao jovem de 17 anos, Luis Pérez, que marcou dois no primeiro tempo e permitiu a tranquilidade para Herrera sacramentar na etapa final a vitória chilena.

Assim como na década anterior, o Olimpia chega na final logo no início da nova década, em 2002, onde sagrou-se campeão diante o São Caetano. Já 11 anos depois, em 2013, não teve a mesma sorte na final contra o Atlético Mineiro que em uma campanha toda no limite, às vezes contando com sorte e milagres do goleiro Victor, venceu a competição nos pênaltis após dois resultados iguais: 2 a 0, durante as duas partidas.

Com três títulos (1979, 1990 e 2002) e quatro vices (1960, 1989, 1991 e 2013), o Franjeado é o único clube a disputar pelo menos uma final em cada década de existência da Copa Libertadores da América, e o terceiro maior em participações. De volta em 2019 à fase de grupos, o Olimpia está em casa. Na competição que sabe se manter presente durante toda a sua história. E como a Conmenbol bem definiu no seu site: “Há times que transcendem os tempos por sua garra, por sua capacidade em superar situações adversas e impor sua mística copeira em cada estádio do continente onde jogam. Sem dúvida um desses privilegiados é o Olímpia”, seja bem-vindo de volta às noches de copa, Franjeado.

Recebimento da torcida para o jogo que garantiu o 41º título paraguaio

Textos de apoio:

https://clubolimpia.com.py/

https://globoesporte.globo.com/blogs/latinoamerica-futbol-club/post/2018/01/22/a-libertadores-que-nao-acabou.ghtml

http://www.conmebol.com/pt-br/content/com-sua-mistica-eterna-olimpia-conquista-sua-segunda-copa-libertadores

Um comentário

  1. Ju
    junho 7, 2018
    Reply

    Massa demais, mago.
    Mais um texto foda.

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