Oitavas ou Supercopa Libertadores?

“Y dale alegría, alegría a mi corazón…”

Com o fim da fase de grupos da Libertadores e já com as 16 equipes classificadas para as oitavas de final, o número de campeões chama atenção. São 13 times que guardam em suas salas nada menos que 35 exemplares do charmoso troféu. O recorde anterior era de 23 títulos nas edições de 2008 e 2015. Apenas Cerro Porteño, Libertad e Atlético Tucumán não são campeões na atual fase.

No novo formato de sorteio, os clubes são divididos em dois potes que se enfrentarão nas oitavas de final. No pote um ficam os líderes dos grupos e no pote dois os vices. O pote um com Grêmio (3), Atlético Nacional (2), Libertad, River Plate (3), Cruzeiro (2), Santos (3), Corinthians (1) e Palmeiras (1) soma 15 títulos. Já o pote dois com Cerro Porteño, Colo-Colo (1), Atlético Tucumán, Flamengo (1), Racing (1), Estudiantes de La Plata (4), Independiente (7) e Boca Juniors (6) soma 20 canecos – com o Rey de Copas, os Xeneizes e os Pincharratas elevando o número de conquistas neste pote.

Quem completa o panteão das outras 23 conquistas são Penãrol (5), Olimpia, Nacional e São Paulo (3 cada) Internacional (2), Vélez Sarsfield, Argentinos Juniors, San Lorenzo, Once Caldas, LDU, Atlético Mineiro e Vasco (1 cada). Mas estes vão acompanhar a competição igual à maioria dos mortais times sul-americanos, pela televisão.

Apenas no grupo 3 não passou um campeão. O Peñarol foi desclassificado, e Libertad e Atlético Tucumán conseguiram vaga para a próxima fase, deixando o pentacampeão amargando a terceira colocação. Mas considerando que isto só aconteceu no grupo 3, tal fato tornou a atual competição quase uma versão da extinta Supercopa Sul-Americana ou Supercopa Libertadores. O torneio reunia apenas campeões continentais e/ou, dependendo da visão, camisas pesadas e copeiras. Consagrando o elitismo de um seleto grupo no qual quem entrou nunca mais sairá – mesmo que algumas vezes não tivesse mérito esportivo para participar de algumas edições.

Congregando apenas campeões, a Supercopa durou 10 edições, de 1988 até 1997, e se hoje pouca gente lembra, a competição lotou os estádios e teve grandes jogos nas suas edições. Já seus campeões, são nomes na memória e no presente de todos os que acompanham o futebol no continente de Simón Bolívar. O maior campeão da Libertadores com sete títulos, o Independiente, divide a liderança de títulos com o Cruzeiro, sendo duas conquistas para cada lado. Também fazem parte do seletíssimo grupo de supercampeões: River Plate, Boca Juniors, Racing, Olimpia, São Paulo e Vélez Sarsfield. Ou seja, de oito campeões da Supercopa, cinco estão nas atuais oitavas da Libertadores.

Mas voltando ao clube exclusivo de campeões, como Douglas Ceconello definiu no blog Meia Encarnada, a competição serviu para consolidar a fama copeira do Cruzeiro, atual penta na copa nacional, para o continente. Atualmente bicampeão da Libertadores, o time azul de Minas Gerais também fez campanhas avassaladoras na extinta copa. Hoje, a raposa trabalha no marketing com a marca La Bestia Negra, apelido conquistado muito por conta da dor de cabeça que deu aos clubes sul-americanos na década de 1990, e principalmente aos chilenos. Segundo jornais daquele país, o clube costuma causar noites tristes e negras aos times da terra de Salvador Allende. Vencendo duas vezes a competição (91 e 92), chegou a alcançar uma impensável média de público, para os dias atuais, de mais de 70 mil torcedores na campanha do bicampeonato.

Outro grande protagonista é o Rey de Copas, o Independiente, que não conquistava a Copa Libertadores desde 1984 e pôde, em 94 e 95, mostrar que sua alma copeira não tinha sido datada no início da década de 1970. Um desses títulos voltaria à memória anos depois, com a final da Copa Sul-Americana de 2017 contra o Flamengo, no qual o Rey garantiu a segunda volta olímpica no estádio símbolo do futebol brasileiro. Estádio este que também viu pela primeira vez um time de fora do Brasil ser campeão: o mesmo Independiente, em 1995, contra o mesmo Flamengo, na Supercopa. Feitos estes que fizeram os hermanos chamarem o mítico estádio, final de duas copas do mundo, de quintal de casa. “El Rey conquistó el Maracaná por segunda vez en la historia. El patio de nuestra casa”, publicaram em suas redes sociais.

A Supercopa foi encerrada devido à falta de patrocinadores e deu origem à também extinta Copa Mercosul. Hoje, a Conmebol realiza a Copa Sul-Americana como alternativa de mais uma competição continental. Mais democrática, a atual competição já sagrou times menos conhecidos, como o inesquecível caso da Chapecoense, o Lanús, o Santa Fe, entre outros. Mas também serviu para ratificar o poder dos velhos campeões, como os recordistas em títulos, dois para cada um, Independiente e Boca Juniors.

Se de 1988 pra cá diversos times conseguiram entrar no restrito grupo de campeões, na Libertadores deste ano apenas três vão tentar tal ingresso no clube exclusivo. Já os outros competidores, vão lutar para reafirmar que o peso das suas camisas merece obediência face aqueles que escutam que “la copa se mira y no se toca” – até chegar a temporada que ponha um fim à grande obsessão.

Textos de apoio:

https://globoesporte.globo.com/blogs/meia-encarnada/post/2018/05/11/o-clube-exclusivo-dos-campeoes-uma-competicao-chamada-supercopa.ghtml

https://pelotadetrapoblog.wordpress.com/2016/01/05/quando-existia-a-supercopa-da-libertadores/

https://cruzeiropedia.org/La_Bestia_Negra

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