A Trilogia Pincharrata

De la mano de Osvaldo Zubeldía comenzó la primer época dorada de la institución.”

A alcunha de pincharrata (Picar/Furar/Espetar Rato) tem três versões, porém a mais popular e considerada oficial remonta às origens da fundação do clube por 20 estudantes, o qual logo se popularizou também entre os futuros médicos que realizavam experiências com ratos na universidade. Fundado em 1905, já em 1913 conquistou seu primeiro campeonato argentino – torneio este que venceu apenas seis vezes na sua história até os dias atuais.

Apesar do pequeno número de campeonatos nacionais, é outra competição – ou outras – que construiu sua identidade no imaginário popular, desenvolveu dentro das quatro linhas um modelo reconhecido pela capacidade de criar um clima de batalha durante as partidas, além de proporcionar as maiores glórias – e vergonhas – deste clube tradicional não só no país do Rio da Prata, mas de todo o continente sul-americano. O primeiro tricampeão consecutivo (1968, 1969 e 1970) da Taça Libertadores da América, o Estudiantes de La Plata. Foi nesta competição que empilhou troféus e foi o primeiro a desafiar a “ditadura do time grande” – tão injusta e presente até hoje no país de Maradona.

Atualmente tetra, sendo o último título mais presente na memória dos torcedores – principalmente dos cruzeirenses – conquistado em 2009 no Mineirão após o empate sem gols na partida de ida na Argentina, o León mostrou o motivo de ser conhecido como um time que luta até o fim. Com o clube mineiro inaugurando o placar aos seis minutos do segundo tempo, o alvirrubro platense empatou aos 12 e virou aos 27 para garantir a quarta plaquinha na clássica base do troféu da copa.

Na conquista do tetracampeonato, o grande nome foi o atual presidente, Juan Sebastián Verón. O jogador que iniciou a carreira em 1994 no time, possuía uma trajetória vitoriosa na Europa e diversas passagens na seleção albiceleste, mas decidiu voltar em 2007 às margens do Rio da Prata e escrever seu nome na história do Estudiantes e da Libertadores – assim como seu pai, Juan Ramón Verón (La Bruja), fez no histórico tricampeonato continental.

Por isso, muito do que se tem presente no imaginário popular sobre o futebol argentino, da famosa catimba e valorização da raça além da técnica, nasceu com os pincharratas nesta saga pelo continente de Bolívar pelas mãos de Osvaldo Zubeldía e com jogadores como Verón, Bilardo, entre outros.

1968: De vice invicto à primeira plaquinha

O Estudiantes de La Plata se classificou para o torneio continental através do vice-campeonato nacional. Em 67, não perdeu nenhuma partida no campeonato vencido pelo Independiente, além de ter conquistado o torneio metropolitano.

Com diversos jogadores da base como Verón, Alberto Poletti, Ramón Aguirre Suárez, Oscar Malbernat, Juan Echecopar, Eduardo Manera e Carlos Pachamé e refugos de rivais Bilardo (San Lorenzo) e Marcos Cornigliaro (Independiente), o alvirrubro platense começou a garantir seu espaço no futebol sudaca.

Na primeira fase, terminou na liderança do grupo após vencer por 2 a 0 o Rey de Copas (que na época tinha duas das suas sete libertadores), 3 a 0 o Deportivo Cali e um empate sem gols contra o Millonarios. Na segunda fase, em um triangular que contou novamente com o time vermelho de Avellaneda, além do Universitario do Peru, conquistou a primeira colocação mais uma vez e se credenciou para a semifinal contra o atual campeão da taça na época, o Racing Club. Após vitória por 2 a 0 do lado azul de Avellaneda, o time de La Plata venceu por 3 a 0 em seus domínios e levou a decisão para um jogo de desempate, no qual empatou por 1 a 1 e passou graças ao saldo de gols.

No confronto final, encarou o Palmeiras de Ademir da Guia. Na primeira partida, começou a escrever na história sua fama de lutador empatando a partida aos 38 minutos do segundo tempo quando Verón, o pai, passeou pela defesa brasileira para marcar. Aos 43 minutos, Eduardo Raúl Flores virou e cravou a vitória na partida de ida por 2 a 1. Já na volta, vitória do time paulista, que vence por 3 a 1. Resultado que levou a uma partida de desempate em Montevidéu, onde o Estudiantes vence por 2 a 0 com gols de Ribaudo e novamente de La Bruja.

Para Verón, foi o título que mais o emocionou e envolveu os hinchas da sequência que aconteceria, pelo ineditismo e por lembranças da torcida, relatadas no documentário em comemoração aos 50 anos da competição.

1969: Único argentino para não perder o bonde da história

Atual campeão mundial, interamericano e, claro, da Libertadores, estreou na semifinal – como o regulamento da época permitia ao atual campeão contra a Universidad Católica do Chile, que na campanha contra o Santiago Wanderers, Sporting Cristal, Juan Aurich, Cerro Porteño e Deportivo Italia, tinha cinco vitórias, um empate e quatro derrotas. Naquele ano, a Copa teve o boicote brasileiro e o Estudiantes foi o único representante argentino, mesmo o país tendo duas vagas para participar.

Com maturidade e experiência de quem já tinha saído vencedor no confronto com os chilenos, no qual ganhou duas vezes por 3 a 1, o time argentino foi para a final. Agora desta vez os adversários foram os uruguaios do Nacional. Em dois jogos, duas vitórias dos pincharratas, uma pelo teto mínimo no Uruguai e outra por 2 a 0 na sua cidade, La Plata – sendo o único título internacional conquistado em casa até hoje. O bicampeonato veio com 100% de aproveitamento e serviu para ratificar o modo de jogo defensivo e disciplinado do time que tanto incomodou críticos na época.

1970: A posse definitiva do troféu

Mais uma vez entrando na semifinal, o León encarou o River Plate no Monumental de Nuñez, onde saiu com a vitória de 1 a 0 com gol, mais uma vez, de Verón. A volta em La Plata foi vencida por 3 a 1 e assim, garantiu mais uma final contra uruguaios, mas desta vez, os carboneros. Com apenas 1 a 0 na ida e um empate sem gols, com muita catimba no jogo da volta, o alvirrubro platense impôs ao Penãrol, desfalcado devido à Copa do Mundo, o vice-campeonato em pleno Estádio Centenário. Na ocasião, levou de vez o troféu, de forma invicta, para a Avenida 53 N° 620, La Plata, para nunca mais sair de lá.

Como tradição futebolística, o tricampeão consecutivo fica com a posse definitiva da taça. O Brasil garantiu o Taça Jules Rimet em 1970 no mundial do México, e o Estudiantes também. Vale lembrar que o Peñarol já era tri, mas não de forma consecutiva, e como a Libertadores é um campeonato anual ficou estabelecido que a posse definitiva ficaria com um campeão três vezes seguidas.

A herança

Antijogo para alguns, disciplina e jogo duro, principalmente marcação e valorização do setor defensivo, para outros. A geração histórica comandada por Osvaldo Zubeldía que teve como time base Poletti; Madero (Manera), Malbernat, Aguirre Suárez e Medina; Pachamé, Bilardo e Togneri, Flores (Ribaudo), Conigliaro (Echecopar) e Verón – escreveu uma história e deixou um legado dentro e fora das quatro linhas para o futebol. Concentração dias antes do jogo, jogadas ensaiadas, estudo detalhado do adversário, uso tático da linha de impedimento, uso da bola parada, retranca pós-gol, uma defesa feroz, entre outros, são exemplos comuns no futebol contemporâneo, e que têm suas origens no time tricampeão.

Entre as heranças, pode-se considerar a polêmica linha de impedimento, normalmente também chamada de linha burra, popularizada pelo futebol da Holanda em 1974. Quatro anos antes do mundial de seleções, o time holandês Feyenoord venceu os argentinos, que já abusavam dessa tática, na final da Copa Intercontinental de 1970. Caio Brandão do Futebol Portenho traz uma importante observação sobre o legado desse time que jogou o mundial na época que reafirma a ascendência platense da técnica. “A falta de mais talento com a bola obrigava o Estudiantes, clube de apelo restrito a La Plata, a usar o que estava a seu alcance para vencer ao invés de se contentar com alguma campanhazinha honrosa. Nisso entravam raça, jogadas muito ensaiadas de bola parada, oportunismo nos erros oponentes, marcação e irritante (para os adversários) uso contínuo da linha de impedimento (em época em que o off-side só costumava dar-se de forma espontânea e não calculada), bem antes dos holandeses disseminarem-na pelo mundo na Copa de 1974. Holandeses, aliás, que os enfrentaram a equipe de La Plata na Copa Intercontinental de 1970, jogada contra o Feyenoord.”, afirma.

Outra herança campeã e tão importante é Carlos Bilardo. Ídolo e jogador do tri, comandou a seleção argentina de 1986 que conquistou o bicampeonato mundial com Diego Maradona sendo o destaque da campanha. Equipe reconhecida pelo ardor e por um D10s jogando o fino da bola, lembra bastante os Pinchas do tri da América. Inclusive, na Argentina, o modelo de jogo daquela seleção é bastante contestado, e visto como um contraponto ao verdadeiro “futebol argentino” – este simbolizado na ofensiva seleção de 1978. Formando assim a dicotomia futebolística no país de Mafalda entre o Menottismo, em referência a Menotti campeão de 78 e o Bilardismo. Ideias antagônicas sobre o jogo, mas ambas extremamente vencedoras.

PS: Devido aos títulos, o alvirrubro platense garantiu participação Copa Interamericana e Copa Intercontinental seguintes, onde conquistou novos títulos e escreveu história em partidas imortais. Mas por ora, essas histórias não entram aqui. A Libertadores é o assunto com começo e fim, não um torneio classificatório.

Textos de apoio

http://www.estudiantesdelaplata.com/futbol/equipos-historicos/

http://www.futebolportenho.com.br/2013/05/16/45-anos-da-1a-libertadores-do-estudiantes/

http://www.futebolportenho.com.br/2014/05/22/ha-45-anos-o-estudiantes-festejava-sua-2a-libertadores/

Um comentário

  1. […] Já o pote dois com Cerro Porteño, Colo-Colo (1), Atlético Tucumán, Flamengo (1), Racing (1), Estudiantes de La Plata (4), Independiente (7) e Boca Juniors (6) soma 20 canecos – com o Rey de Copas, os Xeneizes e os […]

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