13 de maio, o dia divino

Treze de Maio
Mil novecentos e cinco
Dia divino em que Guilherme de Aquino
Reúne no Recife, ardentes seguidores
Fundando esta nação de vencedores
Que encanta, enobrece e dá prazer
Sport, Sport
Uma razão para viver”

Chegou o dia divino que faz lembrar que não são vitórias e troféus que importam. A vida é, em regra, cheia de desafios, mas para o torcedor rubro-negro tem momentos mais descomplicados que o comum. A certeza que, enquanto tiver 11 leões ou 11 leoas representando o centenário clube no estádio construído graças aos esforços dos próprios seguidores, será suficiente para essa devota nação.

Mas os dias divinos não são comuns. A rotina do torcedor é construída na banalidade dos jogos, das brincadeiras com os rivais e na corneta ou idolatria com os jogadores. Entretanto, tudo isso só importa até cruzar a imaginária fronteira, porém real, que divide o estádio do restante do mundo. Existe uma ruptura na vida que só o encontro com a construção de concreto permite, o encontro com a Ilha do Retiro.

Da irregular calçada até as dependências do complexo esportivo, a trabalhadora, o pai, a filha e o marido deixam de existir para se tornar um. Uma parte da massa de pessoas guiadas por um sentimento e uma preocupação comum: o clube. Instituição imaginária que a cada reclamação da altura do degrau no estádio, a constatação que o Sapotizeiro não é apenas uma árvore – é um patrimônio da cidade –, até o encontro no Bar do Tênis, Samba, salão social, entre outros com as mesmas pessoas de sempre, só se torna material e real naquele local. Pois não é pelo jogo em si, é para estar no clube.

Clube este que, por finalidade da sua razão de existência, enfrenta constantemente desafios contra rivais provavelmente desleais, indignos e sempre beneficiados por juízes supostamente tão desleais e indignos. Pois na Praça da Bandeira, todos sabem que o mundo é contra o seu dono, o Leão, e este animal imaculado e nobre luta contra tudo e todos para garantir seu local natural na ordem do mundo: o da glória. O único merecedor do confronto de 11 contra 11 luta para que os maus não dominem seu sagrado solo e profanem seus símbolos. Mesmo que, na verdade, todos saibam que nas outras praças o pensamento é o mesmo. Dessas batalhas quase santas, todo mundo só torce para que os vestidos de vermelho e preto representem e honrem quem sempre está erguendo, imponente, o imortal escudo – e suas próprias devoções.

Como toda religião, os adeptos são essenciais para o fortalecimento de suas crenças e perpetuar a mensagem de quem serão os dignos a viver no paraíso pela eternidade – pois o Éden não é 90 minutos ou temporadas vitoriosas, é ser rubro-negro em todos os campos de guerra. E neste quesito, os que afirmam no hino que não é apenas um time, mas uma religião são a constatação que mais 113 anos virão.

Por isso, entre vitórias e derrotas, sempre haverá alguma criança disposta a responder que: Pelo Sport, tudo!

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